MISSOSHIRO
me espera... Pelo menos isso. E o livro.
kikks
baú de futilidades registros e chamamentos
terça-feira, julho 31, 2001
segunda-feira, julho 30, 2001
MI CASA
Finalmente. Ainda tem algumas caixas. Ainda tá meio vazia. E fria. Já fui para a varanda tomar sol e passar frio enrolada em uma manta. Meu quarto está com cara de meu quarto. Luminária de papel, luminária robozinho. Micro baú puff barbie. As macumbas no banheiro junto com o sapo Kappa. Agora ele vai chamar Kappa por causa da lenda japonesa do mostro do pântano. Está pendurado na banheira. Meu daigorô está no quarto, zelando pela mãe. Já tenho a primeira poesia de geladeira: "cheiro fresco" - coisas de casa nova. Tenho cinco cinzeiros espalhados - sem contar o do Hermes, que está no quarto dele. Casa de fumante. Ganhei as minhas primeiras pantufas do Miguel. Pés de joanas!!!! Tenho mais um dia para curtir a casa sozinha. Meu room mate só chega do Rio amanhã...
sexta-feira, julho 27, 2001
TPM (Tensão Pré Mudança e Menstrual)
Antes que eu tenha algum chilique, resolvi tomar uma atitude. Já que não tinha nenhuma Sephora por perto, peguei o que vi pela frente. Um vidro de esmalte vermelho. Escorreu para as unhas do pé. Faz um bem danado! Termino de encaixotar Helena hoje. Amanhã tem mudança, compras e operação desencaixotar. A rede só chega na segunda. Junto com o Hermes.
PRESENTES
Ganhei um cinzeiro de JOANINHAS da Dani. Na verdade, um micro-cinzeiro.
E uns micro bonequinhos em cima de uma caixinha da Brenda.
MILKBAR
de caixinha, de beber. Salvou a minha vida. Às vezes, a gente precisa de pouco para ter a vida salva. Engraçado isso.
TEMPO
Alguns dias pareceram muitos dias. É bom poder matar a saudade. Por isso vou parar de escrever.
DESENHOS
Longe das caixas, pelo menos por uma noite. Amanhã começa tudo de novo. A última leva. O ritmo do teclado diminui. Ainda estou com os desenhos na cabeça. Os do filme. Os outros, todos os outros. Ontem eu achei um monte de desenhos que há tempo não via. Há tempos parece anos. Foram apenas alguns meses. E eu pude revê-los sem chorar. O macaco de umbigo - rabo - grande, eu sonhando com morangos, os desenhos no corpo, na estação do metrô. Acho que sei porque a palavra "dawn" ficou na minha cabeça. Aquele trajeto hotel-aeroporto. Sim, olhei para aquele começo de sol os desenhos estavam lá. Depois, nunca mais os vi.
quinta-feira, julho 26, 2001
PÉROLAS
Às vezes, chegam uns livros loucos na redação para uma seção meio esotérica meio auto-ajuda que eu fecho. Quem se presta a reunir todas essas frases e publicar? Coisas do tipo: "As mulheres têm duas armas terríveis: cosméticos e lágrimas" (Napoleão). E chamam isso de pensamentos para uma vida melhor.
CAIXAS DE PAPELÃO
Minha vida tem sido um tal de encaixotar que logo vai ss transformar em um tal de desencaixotar. Hoje, eu fui mais rápida, organizada e menos nostálgica. Faltam alguns livros, as roupas e os cosméticos. Acho que consigo terminar na sexta. É, porque amanhã à noite, eu tenho compromisso. Não quero nem saber. E a labuta começa às nove da manhã no sábado. No domingo, eu abro uma garrafa de champanhe. Já combinei com o Rodolpho. Se tudo der certo, conforme o planejado, e se chover, vou poder passar frio minha na varanda...
quarta-feira, julho 25, 2001
TELEMARKETING
Algum fio resolveu ir para outro caminho. Meu telemarkeing "mais alguma informação, senhora?" não funciona. Voltei ao telefone normal, mas não é a mesma coisa.
PESQUISA
Resolvi fazer uma pesquisa de preços, fazer voz manhosa (mas não de criança) para conseguir descontos com as transportadoras. Dúvida cruel: por que todo cara que faz o orçamento se chama Carlos, Marco ou Marcos? Eu, tonta, pechincho, achando que eles não se conhecem. É uma entindade única. Todos têm voz de fumantes, devem ser gordos, com a camisa meio aberta e pele oleosa. Eu acho que isso é uma máfia.
SUSHI
Achei a receita. Mas parece ser tão difícil. Deu preguiça de fazer. Por que eu prometi aos meus amigos?
QUARTA-FEIRA
Não sei se é ruim porque tenho menos tempo de fazer matérias.
Menos tempo para encaixotar.
Ou se é bom porque é dia de Bonassi.
Ou porque metade da semana já passou.
E se eu me agilizar, consigo fazer outras coisas durante a noite.
TRANSVERSÁTIL
Não é ótimo? Como diz o Dênis, que passou o telefone para mim, vale a pena só pelo nome.
SURTO
Estou surtando com a minha casa nova. E hoje eu me lembrei do salão de beleza Susi, com secador de cabelo antigo... Nem todo mundo entende o que é isso. Apenas eu e a Jennifer e todas as minhas amigas que brincaram com o salão de beleza da Susi (nada de Kit Barbie, por hoje chega). Será que a minha banheira - e do Hermes - vai ficar parecendo a 25 de março. Alguém dê um STOP quando isso começar a acontecer?
CAIXAS
Caixas vazias. Sim, ainda. O bom de mudança é que dá para jogar um monte de coisa fora. Adoro fazer isso porque tinha uma época que eu não conseguia. Eu não entendo como posso juntar montes de revistas. Montes de papéis. Achei uns cromos da Mostra Internacional de Cinema de 1997. E tive pena de jogar mais uma vez. Nessa neura pelo desapego e pela organização, só consegui encher meia caixa. Para meu desespero. Para minha saudade aumentar. Meu Deus, quando é que vou acabar com isso!
terça-feira, julho 24, 2001
LANÇAMENTO
O lançamento de Kit Ken Pop Star não fez sucesso. A Barbie Ciumenta não estava ciumenta. Por isso, resolvemos relançar o Kit Ken Pop Star. Vem com aquelas bonecas que não são a Barbie - e nunca serão - loucas, feiosas e mal-feitas. Elas são as fãs do Ken. E a Barbie só dá risada das outras bonecas.
KIT BARBIE
Vou fabricar um Kit Barbie Leucemia para as meninas carecas não se sentirem rejeitadas.
E um Kit Barbie Câncer de Mama para aquelas que não têm peito. E eu não estou falando de atributos físicos.
CHAVES
Acabei de voltar do meu novo apartamento. O melhor é que a Andrea - que está em São Paulo, aqui do meu lado - vai fechar contrato amanhã do seu novo apartamento no Rio, na Urca, com varanda, com a mesma vista e em frente do estúdio do Rei. Assim não dá para competir! Falei que vodu não pega? O povo bem que tenta, de todas as maneiras possíveis, mas não pega.
segunda-feira, julho 23, 2001
RECADINHO DO CORAÇÃO
A todos os Tranca-Rua. Apesar de estar na TPM e ter todas as neuras do mundo, estou muitíssimo feliz. Não adianta fazer macumba que não pega.
MAÍRA
Saudade. Uma vez ela me mostrou uma música chamada Tempestade e Calmaria. Chavão, mas funciona.
VELHA SÁBIA
Sei Shonagon já dizia que as pessoas poderiam morrer de uma terrível depressão se a escrita não existisse.
MEU REINO POR
todas as futilidades. Hoje, agora, tudo o que eu mais queria era uma sessão terapia na Sephora. Paredes de fivelinhas, cosméticos, perfumes, maquiagem e provadores de esmaltes coloridos. Uma falsa ilusão de felicidade para alguns. Momentos de felicidade plena para outras. Sim, só uma mulher entenderia do que estou falando.
MUDANÇAS ALÉM
Algumas pessoas suscitam essa vontade de fazer a malinha e seguir com ela para onde for. E não é pelo simples fato de não ter feito isso no passado. Não se trata de voltar dez casas e optar pelo caminho que não foi escolhido anteriormente (oito meses atrás). A questão é tem gente que não sabe atrair. E tem gente que sabe.
CICLOS
Meus ciclos de sete ou oito meses. Quando tudo está aparentemente calmo, as coisas começam a mudar. Estava preenchida e agora vou ter que lidar com mudanças. Tenho um novo namorado, vou ter uma nova casa. Será que o "novo" que vem a seguir vai ser uma coisa boa?
FRAGILIDADE
Odeio me sentir assim. Mas não posso esquentar a cabeça sem ter motivos de verdade. Fatos. Objetivos. E a ansiedade, embora não devesse, impera. Outra fragilidade.
LEAD
Pensei tanto em tão pouco tempo que me senti em dias punks de fechamento. Como quando apuro, tenho tantas informações na mão e fico confusa. Não sei por onde começar a escrever. Não sei qual é o lead da matéria. Enquanto isso, o tempo passa, o prazo aperta. Hoje estou assim, tentando entender qual é o meu lead. Muitas questões e poucas conclusões.
domingo, julho 22, 2001
COMUNICADO GERAL
Começa mais uma vez aquela fase de choro sem saber o porquê, de vontade absurda e incontrolável de comer chocolate toda hora e de ficar esquisita.
NOSTALGIA
Conclusão da noite: a Publisher não existiu. Aquela casinha na Artur de Azevedo deve ter visto tanta merda, tantos podres... Meu Deus! Foi quando comecei a ir no psicólogo. Chorava a cada briga com o Renato, a cada telefonema do Rinaldo etc. etc. etc. Foi quase um passo para o alcoolismo para todo mundo que trabalhava lá. Era uma tentativa de café, bar, livraria e espaço cultural. Nunca vou me esquecer do Biondi tocando piano no fim da noite (noite?). Saudoso Biondi! Como ele mesmo dizia:"Vamos todos ser felizes em Florianópolis."O que vale na vida é isso.
sábado, julho 21, 2001
REENCONTRO
Adorei ver minhas amigas. E sem Phil Collins pentelhos. Apenas um japa bobo. A Dani botou peito sim, superdiscreto, ainda não vi a cicatriz, mas acho que ficou bom, e beijou na boca. A Mari parece estar mais loira e voltou com o Sílvio pela vigésima nona (ou trigésima?) vez. A Clau cortou um pouco os cabelos, está no projeto Feiticeira, também beijou na boca e continua a mesma louca de sempre. A Pati e a Déa continuam quase as mesmas. A Pati virou companheira de Marlboro lights E a Déa está um pouco mais ousada. Vi que não mudei tanto assim, só as madeixas curtas (que causou um certo choque no começo) e quase sem tinta. Eu também não beijei na boca. Na verdade, estava louca para pegar uma carona com as minhas amigas. A Dani mora na Maria Figueiredo, pertinho do Miguel. Bateu uma saudade da porra...!
sexta-feira, julho 20, 2001
CARECAS
Da primeira e única vez que fui na Boggie fui cantada por sete homens. Quatro carecas. E dancei como louca. Por precaução, é melhor eu beber outra coisa hoje.
BOGGIE
Vou me encontrar com algumas amigas que vi pela última vez em 1999, no enterro da mãe de uma delas. Eu tinha virado a noite anterior por causa de um paparazzi. Conheço todas elas desde 1991. Faz dez anos. Uma delas eu não vejo desde 1994. Como ela está? Será que alguém pintou o cabelo? Botou aparelho? Cresceu? Fez regime? Plástica? Colocou silicone? Eu encolhi, um centímetro (mas minha bota tem salto alto). Cortei muito o cabelo. Pintei o cabelo. Tive casos com gaúchos colorados e cariocas flamenguistas. Namorei um gaúcho colorado. Namoro um carioca (mais paulistano do que carioca) flamenguista também. Devo estar mais adolescente do que todas. Tenho uma bolsa que é uma mulher de óculos escuros. Um blog com meu namorado. Morei no Rio. Voltei. Continuo ganhando pouco. Estou me mudando de casa de novo. Vou ter uma rede. Aos poucos, estou me viciando em Coca-cola de novo. Não parei de fumar. Nem mudei a marca, só fui do Marlboro lights para o vermelho, para o lights, para o vermelho. No fundo, no fundo, minha vida não mudou tanto assim. É muito chato fazer balanço por causa disso.
TETO
Sempre tem um neguinho em uma escada consertando algo no teto da redação. Macacão cinza, cabelo meio seboso. Passei por um desses hoje de manhã e ouvi: "Pega o alicate para mim?". Olhei em volta, ninguém. "É comigo?", perguntei. "É sim, aquele alicate lá." Sem discutir fiquei olhando para o alicate. "Esse laranja", ele disse. Por pouco não ordenou. Eu sorri e estendi o alicate. Queria torcer os testículos dele, mas pensei: "Discutir para que?". Ainda bem que acordei de bom humor.
quarta-feira, julho 18, 2001
PSICO
Acabo de me lembrar de um momento-mesa-Doriana importante. O dia em que decidi procurar um psicólogo. Motivo 1: fechei os olhos e quase taquei o saleiro na parede. Motivo 2 (mais recorrente): a vontade de despejar a caixa inteira de suco de laranja em um copo de aproximadamente 200 ml. E vontade de esta caixa nunca mais acabar. Detalhe importante: os verbos utilizados. "Tacar" e "despejar".
DORIANA
Vou sentir saudade de acordar de manhã e sentar na mesa com meus pais. Um momento meio Doriana, em que muitas brigas, consolos, discussões, decisões e choros começaram - nem tão Doriana assim. E tomei dois copos de leite desnatado com Nescau. Sigo tomando leite.
CARMEM MIRANDA
Apesar de meu dia ter começado louco, ele seguiu de uma maneira razoável. Apesar das horas no estúdio. É muito bom quando a matéria começa a ser visualizada, quando as personagens estão animadas e levam tudo numa boa. O que eu mais gosto é de ajudar na produção. Espero não ter interferido no trabalho alheio - afinal, a intenção era ajudar. Pintei as unhas de uma das meninas e dei uma pequena contribuição escolhendo as pulseiras e anéis que combinavam mais. Óbvio que aproveitei para brincar também. Além de ter circulado pelo estúdio parecendo a Carmem Miranda, aproveitei para passar esmalte laranja nas unhas. E saí de lá mais feliz ainda porque descobri que tem mini-beiruth no Frevo. E suco de laranja com banana, ótimo para momentos em que não consigo comer mais nada por causa de fome, dor de cabeça e enjôo. Funciona como um frozen. Cada vez mais o mundo se adapta às minhas necessidades.
SIGA SEU RUMO
Mais um postal do Plínio pelo correio. "Ele faz falta." Frase minha para Neusa Barbosa, a tia dele, crítica de cinema. Ela teve que concordar. Ele definitivamente vai ser o padrinho do meu daigorô. Não importa em qual lugar do mundo ele estiver.
UNERASE
A vida de muitos jornalistas pode ser salva por um simples programa. Foi o que aconteceu nesta manhã ensolarada de quarta-feira. O dia começou estranho: acordei com os óculos no rosto. O que quer dizer que eu dormi de óculos. Vim para a redação com um texto no disquete. Na hora de passar para a rede, joguei na lixeira. E minha vida se transformou em um inferno. Quase chorei porque tinha que reescrever, reeditar e precisava sair às 11h30 para o estúdio. E a matéria fecha hoje. Até que veio o Vítor, herói todo poderoso do suporte, ainda com espinhas no rosto. Me deu todas as esperanças do mundo de que ia achar o arquivo. E instalou o UNERASE. Lógico que eu não acreditei. Pentelhei todas as pessoas que estavam na redação, quase comecei a chorar no ombro da Taíssa, que fez eu contar até 3 para me acalmar. Fiquei calma e comecei a obervar o trabalho do Vítor. Pentelhei muito o Vítor e, senti a grande emoção da manhã quando vi o nome do arquivo na tela baby blue. Falei que ele poderia pegar o que quisesse, a joaninha, os pingüins, a Docinho, o Roxinho, os carimbos, a micro-garrafa de Coca-Cola, os carimbos e até o Santo Antônio. Ainda bem que ele só sorriu. Porque no fundo eu não queria doar nenhum dos meus mimos. Se bem que ele merecia tudo.
terça-feira, julho 17, 2001
MATHILDA
Gostei das meias da Mathilda. Da inocência e da maldade.
Por isso tomei leite hoje de manhã.
segunda-feira, julho 16, 2001
JAPA GIRL
Voltei a ler Memórias de uma Gueixa. Comprei banchá que não é de saquinho. E prometi para a Dani que vou me mudar antes de o frio acabar. Quero servir missoshiro para os meus amigos depois do trabalho na casa nova.
MEDO
de me decepcionar se o contrato não der certo. Eu não páro de pensar no pseudo-novo-apartamento. Será que é porque ele tem uma parede vermelha esplêndida na sala?
domingo, julho 15, 2001
CHANDON
Só não dá dor de cabeça se tiver ENGOVE na segunda taça. E quem não vai beber além da segunda taça, faz o que? Na dúvida, fiquei com a dor de cabeça. Que saco!
QUARTO DELE
Sim, e o quartinho é do Mendonça e não mais o meu. Começa pela cama montada. Por não ter milhares de roupas e sapatos e bugigangas e cosméticos espalhados por todos os cantos possíveis. E pela foto com o patrão do lado do computador. Para ele é computador. Para mim, é espelho-tela-de-Mac. Vou-me embora que os meninos me esperam. Prometi não deixar faltar papel higiênico no banheiro deles.
COCA COM CIGARRO
Mais uma para a lista de combinações perfeitas. Será que vou voltar a tomar Coca-cola e ficar cheia de celulites em pseudo-bunda magra? Ontem eu ouvi uma história de um sujeito que bebe café compulsivamente em mesa de bar enquanto as pessoas tomam cerveja. Ontem eu presenciei o Miguel tomando remédios com Coca-cola logo que ele acordou. Confesso que fiquei mais apaixonada.
SEGUNDO DIA
É o segundo dia que vou no meu pseudo-novo-apartamento. Quando é o lugar, é o lugar. Já imaginei o tapete, a luminária, a mesa, vai ter mesa, não vai ter mesa, o canto de cinema, as almofadas, muitas almofadas, o sapo nadando como louco na banheira de água fria... A feira na quinta - as feiras que mais visito são as de quinta. Esta, na rua do pseudo-novo-apartamento, tem uma barraca de legumes em que os caras que trabalham lá competem para ver quem grita mais. Vou ter a feira na porta de casa para começar a desfilar com a camiseta laranja de arma em dias de TPM. Tem um pinheiro na varanda. A Ju e o Guto pegavam lá mesmo os enfeites de Natal. Eu não gosto de Natal nem de enfeites de Natal. Mas vai que um dia eu mudo de idéia? Pelo menos o pinheiro já vou ter.
CHAMAMENTO ALHEIO
"Quero uma rede, preciso de uma rede", foi o que eu ouvi, li ou sei lá mais o que. Não teve esforço de gueixa. Tinha quase desistido - ai, que preguiça - de procurar um apartamento. Caiu no meu colo um com varandinha e ganchos para rede. Parede vermelha na sala e astral bom dos ex-moradores. Agora é rezar para o contrato sair logo e escolher a rede.
sexta-feira, julho 13, 2001
MULHERES
Gostam de ir ao Saara e assumem que não gostam de atitudes de ex-namoradas.
Fácil entendimento.
quinta-feira, julho 12, 2001
FRASES
O Paulo Cabral sempre manda umas frases por ICQ. Adorei a de hoje...
"Que seu cabelo acorde bom durante todo o seculo 21!" (frase do calendário 02 neurônio)
MELHOR
quando o barulho da chuva se mistura a outros barulhos. Se eu ficar pensando muito nisso... Daí que eu não vou trabalhar.
BARULHO
Na falta de barulhos específicos, me contentei com a chuva. Batendo na janela, caindo no chão. Acho que é a primeira chuva deste inverno.
DAWN
O tráfego contratou meninos e meninas com Síndrome de Dawn para distribuir correspondência pelos andares. A Apa acha eles "fofos" (eu lembro quando ela voltou de uma entrevista dizendo que o D2 era "fofo"). Não sei se eles são realmente fofos. Mas são sorridentes, diferentes de outros meninos e meninas do tráfego. Quase dei a outra Ana Maria fofinha de doce de leite para o garoto.
PIJAMA
Hoje vim trabalhar de pijama. Grande. Adoro usar roupas grandes. Desde quando era ainda menor.
DOCE DE LEITE
Desejo de domingo, segunda, terça, quarta... Hoje é quinta. Achei Ana Maria fofinha de doce de leite.
quarta-feira, julho 11, 2001
MESA
Não fui no Saara na última segunda-feira. Mesmo assim, minha mesa parece a 25 de março. A pergunta é: "Por quê?"
FANTASMA
Ibirapuera no meio da tarde. Sentada na grama olhando os meninos bonitinhos. O Gustavo tirou uma foto minha. Fiquei parecendo uma alma penada de óculos escuros meditando na grama .
terça-feira, julho 10, 2001
UM DIA DE FÚRIA
Depois de um feriado maravilhoso, tô de volta a São Paulo. Rotina. Esbarrei com meninos idiotas de 18 anos, recados enviesados de ex, especulações sobre a minha vida, pedidos de conselhos, happy hour de mala e cuia, cobranças loucas e incompreensão de um modo geral. Será que tudo isso tem a ver com o "bad hair day"? Tudo que eu queria era uma rede.
segunda-feira, julho 09, 2001
MESA DE BAR
(com Andréa e Dani)
Não existe?
Ah, existe sim... O do Ewan. Era igualzinho!
TELEFONE
(com Ana)
Fotos e Bonassi.
MOMENTO PILLOW BOOK
Tinta vermelha. Livro vermelho.
O esplêndido não era azul?
Para ela talvez...
LISTA DAS COISAS ESPLÊNDIDAS
Tinta na pele.
Cartaz de Vertigo.
A bolsinha japa.
Batom de gueixa.
Capa de livro.
O fio da barra da saia.
Caixa de Marlboro.
Camisetas de manga comprida.
Sangue em tubo de vidro.
Unhas pintadas. Dos pés e das mãos.
Joaninhas.
"Tudo que é tingido de vermelho se torna esplêndido."
LIVRO VERMELHO
Estou relendo Um Copo de Cólera. Quase esqueci por completo daquele filme merda com atores loucos. Assim posso ler mais tranqüilamente, sem que vozes de atores loucos venham à minha cabeça. Não queria ler sozinha. De repente, começo de novo. Acabei me lembrando de Eu sei que vou te amar, do Jabor. Será que ter lido essas discussões catárticas vai servir como repertório? Espero ter um cenário mais do que adequado para quando esse dia chegar.
RELEITURA
Meu micro-caderno de pílulas acabou hoje. Reli o que foi escrito a caminho de São Paulo. Se eu tivesse pego em outro dia ou circunstância, a seleção seria outra.
ANTOLOGIA
14/03/01 (Ponte aérea) "Daqui a um tempo terei feito este trajeto cinco, dez, oitenta vezes. E sempre vai restar este resto de Erika estremecida"
09/07/01 "Ponte aérea feliz. Com Miguel e garoto comendo sanduíche ao lado. Ele está na fileira de trás, mas longe."
08/03/01 "Um haikai
Alma quieta."
02/05/01 (Volta de POA) "FRIO
finalmente quero senti-lo."
07/05/01 "Hoje estou muito japa."
15/06/01 "Esqueci de anotar um pensamento. Agora ele se foi."
Anotados no guardanapo - pedi um, mas a comissária trouxe oito guardanapos. Será que ela achou que eu ia escrever um livro? Vou parar de brigar com o teclado. Quem sabe começo uma entrevista...
sexta-feira, julho 06, 2001
VAI DAR CERTO
Tenho cliente preferencial, o carimbo da Flávia e as colegas de okyá. Tenho olhos puxados também.
INVEJA
A Flá chegou com um carimbo lindo, com o ideograma de Sakai, o sobrenome dela. A irmã dela ia jogar fora, que absurdo! Logo carimbei a minha mão, mas borrou. Necessidade de tinta na pele. Como Nagiko. Eu, a Flá e a Mari nos carimbamos no pulso. Tinta vermelha, ideograma pequeno. É a marca do nosso okyá. Sakai. O Zane sonhou com nós 3 hoje, em um carrão. Pode? As três poderosas. E se dá o negócio dá certo?
NOMES
A Dri acabou de perguntar qual era o nome da minha mala. Ela explicou uma relação de amor e ódio, o sombreiro, a mala sempre junto, sendo puxada (como cachorro). E a falta que ela sentiu da Fofa quando voltou para o Brasil. Esta mala aqui acompanhou toda a saída da vala: o quartinho com espelho-tela-de-mac na casa dos meninos, a viagem em que me apaixonei por um braço e comprei pó de macumba e uma última viagem, aquela em que me joguei de vez. Ainda não consegui achar um nome para ela.
ONTEM
fui dormir pensando. Em muita coisa. Hoteleco, ônibus, polaroids, barulhos baixos, barulhos altos, lugares novos, claros, escuros, apertados. Pessoas por perto, fingindo dormir, mas sem conseguir pregar os olhos... Calor. E frio. A distância existia. Fazer o quê? O trabalho existia. Queria dividir, mas tive que contar todos esses segredos para a parede.
quinta-feira, julho 05, 2001
REPETIÇÕES
Acabo de decretar a proibição - salvo raras exceções - do uso de determinadas palavras neste blog.
Nem vou citar para não cometer o crime.
quarta-feira, julho 04, 2001
NÃO RESISTI
a tentação de escrever meu útimo post na escuridão total. Antes, coloquei a minha foto gigante na tela do computador. Afinal, a redação está vazia e escura. E os caras da Placar não vão desgrudar da tevê para ver a foto. Nem entenderiam porque estava aqui olhando para mim. Olhando para mim e mordendo os dedos. Por hoje chega. Tive muitos desejos que deixaram a desejar por causa da distância e do trabalho.
RELAX
O post abaixo tem o ritmo de alguém que acabou de fumar. Mais uma vez cigarro e escrita. Outro combinação, ops, cacoete.
FUMÓDROMO
Odeio ficar na redação até tarde. Mas adoro o fumódromo tarde da noite. Dá para fumar de porta aberta. E no escuro. A Marginal parece mais bonita. Luzes brancas vindo. Luzes vermelhas indo. O rio Pinheiros não se mostra tão poluído. Não tem ninguém para me censurar. Fico deitada no sofazinho com as pernas para o alto e dou uma longa tragada de olhos fechados. Sinto o gosto da bala de mel com limão. Fumo rápido para voltar logo para a redação e escrever um texto meu antes de recomeçar um texto da revista.
COMBINAÇÃO
em homenagem a um dos meus cacoetes, Bonassi de hoje na Folha.
DA RUA
Tudo isso combina
FERNANDO BONASSI
Flechas e alvo. Flores e velório. Compromissos e agenda. Bingos e solidão. Cartões e assédio. Cáries e silêncio. Dinheiro e malandragem. Propaganda e prostituição. Corpos e suores. Sol e janelas. Fogo e mangueira. Trabalho e indiferença. Cansaço e revólveres. Suavidade e apólices. Economistas e incesto. Delegados e eletrochoque. Carreiras e overdose. Copos e perguntas. Tempo e panelas. Arte e moral. Prêmios e duplicatas. História e negociação. Televisão comercial e canalhice amadora. Malhos e fendas. Burrice e escola. Música e coxas. Computadores e masturbação. Bebês e enfermeiras. Polícia e política. Política e assassinato. Virgindade e estupro. Inteligência e disenteria. Desespero e deuses.
terça-feira, julho 03, 2001
OB
a melhor invenção dos últimos tempos. Poderia ser melhor. Eu penso em algo assim: você regula um tempo mínimo (4 horas) ou máximo (6 horas) de uso. Dependendo do fluxo, daria para ser um tempo médio (5 horas). Poderia apitar na hora de trocar. Ou melhor, vibrar. Além de não incomodar, ser discreto e avisar que deve ser trocado, poderia proporcionar um pequeno prazer. Aposto que as riot grrrls não meteriam tanto o pau em um mero absorvente interno - ótima invenção, embora ainda não tão perfeita.
HOTELECO
cenário que muito me agrada. Lembrei de Chico Diaz esbofeteando Maria Padilha no quarto com paredes verdes (um verde indiscritível) de um hoteleco na fronteira do Paraguai. O filme é Os Matadores, de Beto Brant. Bem melhor que Ação entre Amigos. Eu juro.
CONSOLOS
Fotos maravilhosas, alguns elogios (que me deixam dividida entre a raiva e a satisfação), um cão com olhar piedoso e 4 elogios curiosos na linha "Who's that girl?".
OPÇÕES
nitidamente não suicidas...
. Luxúria - João Ubaldo Ribeiro
. Crimes Conjugais - Fernando Bonassi (se eu achar por aí)
ou reler alguma coisa que me fez bem em algum momento da vida.
ARMÁRIO
Tem dias que dá vontade de eu me trancar em um armário e ficar por lá. Choro abafado. Tive essa vontade quatro vezes hoje. Agora estou calma. Se eu parasse para ler poesia, poderia me suicidar. Mas quero ler poesia. Só não quero me suicidar. Se bem que, algumas vezes, a vontade é quase real.
4 VERSÕES
momento polaroid preto e branco
femme fatale
sensual (boca de Ira Barbieri)
meiga
estudante de jornalismo editando fotos
título:
São Paulo, inverno de 2001.
para quem mesmo eu devo mandar?
OBSERVAÇÃO
Odeio esse teclado. (Chata) Pronto, agora posso começar a escrever.
Perna direita balançando. Mão no queixo. Indicadores velozes. Pensa muito, escreve quase vomitado...Edita pouco. Ops, publish. Edit. Escreve mais. A perna pára de balançar. Não dá para saber se está ou não satisfeito. Tenho vontade de ler. Mas fico deitada, não consigo parar de observar. Não posso fazer nada. A não ser ficar deitada, "a observar". E esperar a minha vez.
segunda-feira, julho 02, 2001
MULHERES
A menina de dois anos come colheres de açúcar.
Os homens se preocupariam com a alimentação da criança.
As mulheres com:
1 - a alimentação da criança
2 - as celulites que a criança terá no futuro
3 - o açucareiro lindo que a criança vai estragar com a baba dela
(não necessariamente nesta ordem)
PRECONCEITO
por que não existem mulheres na máfia japonesa? Existir, existem, mas são meros bibelôs. Se bem que gostei do o figurino da mulher do Yamamoto no filme do Takeshi Kitano, totalmente Zara. Na próxima encarnação quero nascer homem. Com a primeira tatuagem aos seis meses de idade e destino traçado para ser chefe da Yakusa.
domingo, julho 01, 2001
VÍCIOS
Auto-análise do meu texto aqui no blog.
Cacoetes:
1 - engraçado
Ex: "Engaçado como algumas coisas se repetem."
2 - e
Ex: "E mais uma vez começo uma frase assim."
3 - chamamento
Ex: "Não são registros, apenas chamamentos." (Essa é clássica)
4 - combinação
Ex: "Adoro as combinações mais estranhas."
HÁBITO
Acabei de perceber ("Não estás a perceber?") que tenho que fumar um cigarro antes de escrever mais do que 3 linhas no computador. Triste não? Vou parar. Um dia. Acabei de fumar meu Marlboro - lights - ouvindo Ella Fitzgerald e tomando suco de uva. Combinação estranha, não?
CASA
O que estou fazendo em casa? Ainda bem que tive um sábado com cara de domingo. O melhor é que ainda vou ter o domingo. Qual vai ser o meu desejo amanhã?
Citar dias de semana traz um chamamento: bolinhos de chuva em uma quinta-feira à tarde. Quinta-feira chuvosa. Com direito a varanda de onde não se avista a Bolha. E cobertas no sofá.

