Folheando Inéditos e dispersos pude reler toda uma história.
O fim deste blog marca o fim desta história.
Tem um poema de a.c.césar que, se dividido ao meio, parece um diálogo inacabado. Mantenho as palavras. Desconstruo com interferências.
[presente]
Tenho arrumado os livros
Tiro de uma prateleira sem ordem e coloco em outra com ordem. Ficam espaços vazios.
Hora em hora.
Não tenho te dito nada.
Ligo para os outros.
[passado]
O que eu poderia dizer é perigoso: certeza (assim como eu disse: daqui dez anos estarei de volta) de que nos reencontramos, cedo ou tarde.
Mas não sei mais quando.
[pretérito mais-que-perfeito]
Cedo ou tarde o reencontro - o ponto de partida
Mais uma poesia de Ana Cristina César
Desdenho os teus passos
Retórica triste:
Sorrio e na alma
De ti nada existe
Eu morro e remorro
Na vida que passa
Eu ouço teus passos
Compasso infernal
Nasci para a vida
De morte vivi
Mas tudo se acaba
Silêncio. Morri.
kikks
baú de futilidades registros e chamamentos
domingo, dezembro 23, 2001
sábado, dezembro 22, 2001
TROCA
Não deu certo. Quem se anulou no passado quer se auto-afirmar agora. Para mim, sobrou a troca capenga. Cansei.
RASGADA
Cada vez que isso acontece eu me pergunto o que é que vale a pena. Acho que amar assusta, se dedicar assusta. O que eu acho mais absurdo é que a causa disso tudo já passou pelo que eu tô passando. Isso me surpreende. Parecia que eu tava pedindo muito, eu queria aquilo que me seduziu, a intensidade que foi pelo ralo. Eu pensei várias vezes que foi quem mais me correspondeu, que tinha um mapa de mim, que, talvez, me conhecesse mais do que eu. Uso sempre aquela expressão do "carinho preciso". E a pergunta que fica na minha cabeça é onde é que isso tudo foi parar. Nessas horas eu nem sei mais no que eu acredito. As palavras ecoam e eu não sei o que pensar. Porque as palavras não fazem sentido. Porque elas não combinam com os atos. Quem me dera fosse tudo coisa da minha cabeça. O que eu sinto denuncia tudo.
INTENSIDADE
Nem todo mundo é assim. E foi por isso que eu me apaixonei. Mas não adianta a intensidade acabar de um lado. Eu só gostaria de saber onde é que a tal foi parar. Se eu a encontrasse, ela levaria uma surra do caralho.
sexta-feira, dezembro 21, 2001
LADAINHA
Já me falaram de um tal de amor incondicional. Eu pirei tanto nessa história que me senti meio Bessie de Breaking the Waves. Acho que é por isso um pouco que Lars Von Trier me causa um certo incômodo. Me faz lembrar disso tudo. O pior é que vez ou outra eu me vejo caindo nessa armadilha. Já me questionei e me puni demais por causa dessa ladainha.
Eu queria tomar chuva, ver Monstros, sair para jantar. E parar de me sentir tão desamparada numa hora dessas. Eu só queria por um instante parar de chorar.
FILME TRISTE
Parecia o fim de um filme triste. Eu já tava vendo tudo meioi embaçado mesmo. Daí a chuva. E o portão quebrado. A chuva entrava pela janela e o cigarro queimava devagar. Eu me segurei tanto no táxi que o motorista deve ter percebido. Esbocei um sorriso com o "bom descanso". Parecia tanto, tanto conforto. Acho que nunca subi as escadas do prédio tão rápido. Eu precisava de mais conforto, de casa, de colo, de tudo. Pois é, antes ele ficava um dia a mais para ficar comigo. Hoje era apenas conseqüência. Era tudo que eu não precisava. Saber que agora é diferente.
JANELA INDISCRETA
A visão do minhocão e do centro de São Paulo depois das três da manhã é impressionante. Acho que se morasse naquele apartamento eu não ia nem dormir. Só para ficar olhando os outros.
quarta-feira, dezembro 19, 2001
COMIDA
Algo de errado está acontecendo comigo. Ando comendo como louca. E não é comida saudável. É porcaria da máquina de trashorama, fritura, cadáveres... Ontem eu resolvi cozinhar (?) à meia-noite. Detalhe: não estou na TPM.
DECISÃO
Não tenho preparo psicológico para cuidar de outro ser vivo. Resolvi doar a pimenteira para a minha faxineira e ainda não pegar o peixe que a Taíssa me deu. Vou ficar só com o aquário, que já é bem bonitinho e combina com o meu banheiro 25 de março.
PRESENTES
Loja de 1,99: um cubo mágico Pokemón e um cubo doido Hello Kitty
Amigo secreto: uma bolsa fofa e uma toca de banho de joaninhaaaaaai, Fátima, que lindo! (eu dei um CD e um serrote para o Aldo)
Ainda tenho uma matéria para fechar, compras no supermercado e a minha casa vazia porque o Hermés está lindo lá no Rio. Não vejo a hora de chegar no Rio e me jogar na loja do Gilson Martins na Visconde de Pirajá. Vou ter bolsa para o ano inteiro. E eu não comprei presente de Natal para ninguém ainda. Preciso fazer compraas. Mais. O mais difícil vai ser me segurar e não gastar mais nenhum puto para mim. Por isso, estou pedindo mais presentes.
terça-feira, dezembro 18, 2001
JAULA
Hoje matei uns sete leões. A Andrea Capella matou um. Daqui a pouco vou dar um del bem furioso nessa matéria e mandar tudo para a puta que pariu esse olho obeso.
PADARIA
Já mandei 4 páginas para o espaço. Tem mais 5. Além de show de forró, música ao vivo no refeitório, tio Bob falando com algumas pessoas, chocolates e chocolates.
segunda-feira, dezembro 17, 2001
MICO
Hoje é o dia do não. Estava tudo super ok, até uma das personagens ser demitida, a outra ser impedida de fotografar pelo pai etc. Cano atrás de cano. Agora é só rezar. Eu fico aqui pensando se tudo isso tem a ver com a pimenteira, que está quase morrendo.
quinta-feira, dezembro 13, 2001
ENCHENTE
Vou aguar duas vezes por dia aquela planta. Fiquei em falta e deu nisso: reunião no horário da cabine do Senhor dos Anéis, gripe, meio sanduíche no almoço, um pedaço de chocotone, duas bolachas e alguns cigarros.
PITEIRA
Eu nunca usei piteira na vida, mas tem gente que lembra de mim assim. Eu não sou a Jeanne Marie! Não sou! Não sou!
OITO HORAS
de sono me fizeram acordar com os peitos empinados, a cara boa, a pele linda. Lentes, pomada, hemp da Body Shop, delineador, rímel, batom e perfume que ganhei de presente. Mais de meia hora só nisso. Sem contar o tempo de escolher roupa. Deu calça com brilhinhos, aqueles que combinam com o chão do metrô de Lisboa.
quarta-feira, dezembro 12, 2001
5 MIL OCAS
Fazia anos que eu não via a Roberta. Só ela para casar com padre índio, fazer vestido com tecido de cortina e botar no Sérgio roupa de Robin Hood. Mas a conversa foi pra lá de boa. O mestrado que ela tá terminando em antropologia fez eu sonhar longe... Estou pensando seriamente em mamar nas tetas dos japas.
UMA LINHA
Não sei se eu estou escrevendo apenas o necessário para que apenas poucos entendam ou se é preguiça mesmo.
terça-feira, dezembro 11, 2001
segunda-feira, dezembro 10, 2001
DESCONTROL
O que fazer com uma pimenteira não aguada, um peixe não comprado e uma conta no negativo?
LAVADA
Alma lavada na praia da Fortaleza. A minha preferida em Ubatuba. Falei até demais para os gorentos de plantão.
sexta-feira, dezembro 07, 2001
quinta-feira, dezembro 06, 2001
quarta-feira, dezembro 05, 2001
FRASE CÉLEBRE
Microfone na mão, em rede nacional e ao vivo: "Normal, não é, mas acaba sendo!" E todo mundo fez cara de paisagem, fingindo que a frase era super normal. Foi tudo muito rápido - quando eu vi, já tinha falado a merda. Pelo menos, muita gente riu (eu nem isso pude, close total no meu rosto). Depois ainda tive que ouvir do Rodolpho que meu cabelo estava igual ao da Nubia, da Casa dos Artistas. Muita coisa para uma noite só.
terça-feira, dezembro 04, 2001
PROCEDIMENTOS DE EMERGÊNCIA
Esses folhetos de instrução de segurança de aviões são muito absurdos. Não dá para ler sem nenhum preparo psicológico. Quase todos os procedimentos têm ícones que proibem bagagem e sapato para executar as tarefas. Eu entrei em desespero só de pensar que eu estava com bolsa e sapato novos.
POWER DAY DIET
Aplaudir faz parte do número, mas contribui para o Power Day. Eu achava que não ia cativar engravatados que vivem citando artigos da constituição. Nem os do ECA eu sei de cor. Foi engraçado ver as pessoas se aproximando timidamente para falar comigo. Mas o melhor foi ver uma pessoa dormindo profundamente no auditório enquanto eu falava. Ela deve ter tirado o sapato para não apertar as joanetes e devia estar roncando baixinho. Nessa hora, eu pensei: "Agora sou profi em palestras". E me segurei para não rir.
domingo, dezembro 02, 2001
DESCONSTRUÇÃO
Agora eu
comecei
a conhecer a sua
cabeça.
Depois
vou
querer
conhecer
mais
Pra
dep
ois
des
cons
t
r
u
i
r
.
NÃO SEI
Não sei nem quando é que vai ser a minha apresentação no seminário. Eu queria era ter um domingo tranqüilo e conseguir me organizar melhor em alguns aspectos para não ficar que nem barata tonta.
DÚVIDA
Depois dessa semana, tudo o que eu mais queria era dormir muito. Só que tá rolando uma festa aqui na vizinhança. Vou dançar ou chamo a polícia?
sábado, dezembro 01, 2001
SEMANA
Os dias passaram rapidamente. Pensei, pensei, pensei no meio de tristeza e alívio, no meio de fantasmas. Sonhos, pesadelos. De camiseta regata? Destruí, construí, reconstruí. Expande, condensa. Mulheres conversam, cozinham, se falam pelo telefone, bebem, fumam, riem, trabalham. A Danizinha falou para mim: "E agora, com quem vou comprar meu celular?" É isso, e agora, com quem?

